Política e consciência social: quando será isso possível?
Pedro Pernambuco*
Em reportagem da Folha/UOL, de 23/10/2012, Fernando Haddad, (PT – SP), candidato a prefeito por São Paulo, promete mudar a forma de como a prefeitura paulistana fiscaliza a emissão de ruídos dos cultos.
Fez o candidato críticas à chamada lei do Psiu. A referida lei regula poluição sonora e é usada na multa a igrejas. Quaisquer igrejas, conforme entendi. Não faz muito tempo, moradores de um bairro dessa mesma capital reclamavam das badaladas diuturnas de um sino católico.
Já os evangélicos têm usado a questão de forma polêmica e política, quer dizer, politiqueira, e usam o termo "perseguição" por parte da atual prefeitura. Não sou de São Paulo, não votaria em Serra, mas também não deixaria de pensar e repensar se votaria em candidatos sensacionalistas à cata de votos. Evangélicos que tanto pregam ordem, decência, obediência, inclusive às leis, surpreendem quando o assunto é a ordem em nome do respeito comunitário. Dá para entender?
Na verdade, não o Evangelho, aquele de Cristo, puro, autêntico, mas determinados segmentos evangélicos têm-se mostrado extremamente soberbos, politiqueiros, matreiros mesmo, em nome de uma afirmação que não condiz com aquela em que dizem acreditar: a afirmação pela fé.
Tem beirado o escândalo esse comportamento em nome de partidos, em nome de alianças nada sérias, sem programa, sem nexo. Apenas e simplesmente pela busca desenfreada pelo poder.
É uma pena que igrejas tenham se misturado à política. (Leia-se politicagem, politicalha). Tudo o que há não menos de trinta anos era duramente criticado por seus líderes tidos como conservadores. Não é proibido fazer política. Nunca deverá ser, mas não deveria ser permitido pela consciência individual e coletiva fazer política que não seja em nome e pelo bem da coletividade.
Religiosos têm de cultuar àquilo em que creem, têm e devem ter liberdade de culto e de ir e vir. Está na Constituição e não vale só para grupos isolados, mas para os cidadãos. Todos os cidadãos, e isso inclui evangélicos e não evangélicos.
Então vamos nos posicionar, defender nossos credos, nossos direitos, mas vamos respeitar às leis que são criadas exatamente para nos proteger, sejamos crédulos ou não. É questão de respeito. Pelo outro e por nós mesmos. Não sejamos egoístas nem ególatras. Coloquemo-nos no lugar do outro. E votemos bem. Sem contradizer a um livro de leis a que os senhores evangélicos mais prezam e a que tanto amor e respeito devotam: a Bíblia!
E, senhores políticos, não se pode governar para grupos. Infelizmente, essas ideias não poderiam ser passadas em nenhuma hipótese, mas, tomara, sejam apenas promessas vazias de campanha!
Pseudônimo de Simão Pedro dos Santos - Professor de Letras na Universidade Severino Sombra - Vassouras - RJ e de Literatura Brasileira no Centro de Ensino Integrado - CEI - Barra do Piraí - RJ.
