quarta-feira, 27 de janeiro de 2016


Música
Estamos em crise. Não dá para acreditar que talentos não tenham surgido nestes últimos tempos em nossa “pátria, mãe tão distraída”. É só perceber nas premiações concebidas pela TV Globo em 2015, a partir de escolhas do público. E que escolhas! Acreditemos que essa realidade um dia mude.

Mito I
Embora a legitimidade da liberdade de expressão, e isto deve ser predominante em  um país democrático, lamentei profundamente ver a bandeira de Pernambuco tremulando na recepção a um deputado federal que perambula o país a semear “ideias”... Logo Pernambuco, que sempre trouxe sua história marcada pelos mais belos exemplos de ideal libertário.

Mito II 
Esclareça-se imediatamente: em Pernambuco também há uns coxinhas. Foram esses que desfraldaram a gloriosa bandeira do estado no aeroporto e na Assembleia Legislativa, onde o deputado mais votado do Rio de Janeiro em 2014 proferiu seu discurso. No mais, o chamado Leão do Norte não perderá nunca a tradição de ser vanguarda das esquerdas brasileiras. O episódio referido é de pequena representatividade, embora seja importante ficarmos alertas.

Mitando
Substantivo que tem virado verbo, no gerúndio, para classificar alguém que diz “verdades”.

Lava-Jato I
A empresária Rosângela Lyra, que colaborava com movimentos como o Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Acorda, Brasil – que têm ido às ruas pelo impedimento da presidenta Dilma Rousseff –, desistiu. E o fez, segundo ela, em declaração à Folha de São Paulo, de 27/12/2015, porque percebeu que tanto a chefe do Executivo Nacional quanto o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não interferem nas investigações da Polícia Federal no tocante à corrupção praticada por aliados e desafetos. O novo olhar de Rosângela Lyra é ainda tímido, mas tomara, seja o início para que outros percebam que o caminho pode não ser o que propõem esses movimentos e, inclusive, quem os alimenta e o que, de fato, querem.

Lava-Jato II    
Que dizer de Aécio Neves citado em delação premiada? Nada. Deixemos que se apurem as denúncias.

Pergunta:
Por que todo acusado em crimes de corrupção sempre diz não conhecer àqueles com quem suposta ou verdadeiramente se envolveu?

2016
Ano eleitoral. Vamos ver quantas cidades explodirão em canteiros de obras? Transtornos. Obras feitas às pressas. Apertos de mãos nas ruas. Políticos a sair das tocas... Exercício de memória para os eleitores.

Século XIX
Dengue, Zika, Chikungunya. Vergonha! O governo tem culpa? Sim, por motivos óbvios... E o povo, igualmente, por sua contribuição com o descaso de sempre – falta de asseio nos quintais, acúmulo de água em recipientes ao relento, lixo jogado nas ruas... Desrespeito de todos.

Golpe e impedimento (assim, em português)
Foram as palavras mais utilizadas no ano que passou. Sabe-se, seguramente, que o  impedimento seria golpe, o que não vai haver. E se houver, será uma lástima para a democracia!

Eduardo Cunha  
Não é da conta de ninguém! É, sim! É da nossa conta, pois temos de refletir sobre quem acha que é dono do país e pensa que faz o que quer.

*Texto originalmente publicado no periódico Tribuna do Interior, com circulação na cidade de Vassouras e em todo o Sul Fluminense.


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Nossa herança, nossa maldição ou aonde chegar com esse presente

No país do eterno desmando, da troca de favores e do lema “é dando que se recebe”, atribuído a São Francisco, e irônica e injustamente usado como referência aos sujos escambos da política, nos habituamos às velhas manchetes e reportagens em torno de escândalos, de que sabemos, pouco resulta: punições, condenações, prisões são “privilégios” de poucos, que ainda assim, saem ilesos, pouco tempo depois, enquanto nós, o povo, ficamos a ver navios.

A síndrome da politicagem vem de longe e sempre foi, hoje e sempre, a tônica e a prática de nossos representantes. Coronéis, personagens reais e comuns aos interiores de nossa Pátria, sempre agiram, sem escrúpulo algum, em proveito próprio e pela sede do poder que sempre os encantou. Terras acrescidas, gado em expansão, riqueza avultada fizeram dos grandes senhores aliados políticos dos centros do poder em troca do voto comprado dos pequenos e simples trabalhadores. Moto contínuo, essa prática nunca foi extirpada de nosso país. Nem será.

Os coronéis dos grandes centros também são uma realidade e sempre foram: aglomerados empresariais têm seus políticos de plantão, seus lobistas, seus agentes no Planalto Central, nos governos estaduais, nas prefeituras. Aprovam-se aquilo que lhes redundam em vantagem, pois são eles que sustentam campanhas eleitorais, injetam verbas, fazem seus representantes: deputados federais, estaduais, senadores, vereadores, que, atrelados ao monopólio econômico equivalente a suas bases, alimentam e nutrem a corrupção.

Não é apenas nesses turbulentos tempos que senadores e deputados debatem e se debatem a fim de permanecem no poder para sustentar cartéis. A história existe para nos mostrar quão antiga é essa prática legada desde a colônia, e que não deveria constar mais nos currículos de nossos representantes de quaisquer partidos, mas consta e é lastimável.

Enquanto isso, nosso desestruturado país vem a passos não curtos nos impondo impostos, encargos estapafúrdios, divisão injusta de riquezas, empobrecimento generalizado, descaso com educação, saúde e segurança, entre outros compromissos, o que resulta numa sutil separação do povo em castas que nunca se entenderão, pois dois ou mais brasis vêm se construindo: há o dos demasiadamente ricos, que não abrem mão de seus privilégios, há o dos medianos que se contentam com o grito das orlas; há o dos assustadoramente pobres sem voz nem vez, há o dos outros pobres que buscam a voz e continuam sem vez.

E nesse jogo de resultado previsto, um grupo sobrepujará o outro, sempre. É notório, pois há os que têm e vivem as bênçãos do poder. E sempre tiveram e viveram. Há ainda, e sempre haverá aqueles que tiveram e vivem até nossos dias, uma eterna maldição dos poderosos. Esses sabem aonde vão chegar: lugar algum.

E nesse caso, não se sabe quando a panela de pressão, cheia, explodirá. Mas hora dessas, explodirá.     


As cartas que minha mãe lia. As cartas que minha mãe escrevia
                                                                              Pedro Pernambuco
Era uma manhã de agosto. Dia frio como eram aqueles dos agostos de nossa terra. D. Aurora, a quem ninguém chamava assim, o que é comum nos pequenos arruados do interior, procurava minha mãe. Curiosa a pacata vida interiorana. Poucos vizinhos se conhecem pelos nomes que receberam na pia batismal. Quase chegam a esquecer os reais nomes dos seus mais achegados... Irmãos, primos, tios, todos são chamados por alcunha que vem da infância: Biró, Bira, Tota, Jura, Juca... D. Aurora, na verdade, era d. Mocinha. 
Naquela manhã de agosto d. Mocinha chegou com uma carta. Uma cartinha com fitinha preta em volta. Antes e ainda naqueles tempos, inícios de 1970, muitas cartas chegavam, às vezes, dos longes São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e dos muito longe Mato Grosso, Goiás, Brasília com alguma marca preta já no envelope. Um traço, uma cruz, um rabisco qualquer na cor preta dava a pista e era motivo de súbita dor e prévia surpresa. Era o luto.
As cartas iniciavam à tinta preta se a morte era comum. Morrida. Vermelha, nos casos mais graves. Matada. As primeiras linhas, os primeiros trechos eram as janelas da dor incontida, doída, chorada antecipadamente. D. Mocinha chegara a nossa casa com a leitura pronta. Sabia do que se passara naqueles muito longes. O envelope anunciava o que d. Mocinha lia pelos olhos de minha mãe, mas só queria constatar. Tinha ciência das coisas boas ou ruins pelos próprios olhos, e dessa vez era uma ruim, pois o envelope anunciara. Envelope com tarja preta. O coração de mãe de d. Mocinha se cobrira já, por manto preto, pois a leitura se dava pelos olhos de mamãe...
E naquela manhã de agosto mamãe tinha uma dura notícia. Mamãe, cautelosa, lera toda a carta antes, silenciosamente, para se situar nos pontos, nas vírgulas, nas exclamações, nas interrogações que não havia. Mas lia em silêncio também para perceber a dor daquele texto. Carta escrita quase de um só fôlego por pessoa que, a exemplo de d. Mocinha e de minha mãe, pontuava intuitivamente, pela respiração, por pausas imaginárias. Mamãe tinha uma dura notícia para d. Mocinha, que já a adivinhara. Coração era de mãe.
Minha mãe lia o texto pausadamente e em voz baixa somente para d. Mocinha ouvir. As duas mastigavam cada palavra da missiva. As duas eram mães, as duas se atrapalhavam até mamãe decifrar algumas palavras que insistiam em ser misteriosas, difíceis de ler, como se teimassem em não ser tristes, já que fingiam emaranhadas, confusas. Minha mãe se esforçava por protelar ao máximo a notícia que d. Mocinha já sabia. Coração de mãe... Num momento de angústia naquele agosto frio, quase por terminar a leitura, mamãe escuta de d. Mocinha que podia dizer a notícia. Ela já sabia de tudo. Seu coração não se permitia enganar.
E minha mãe lera com o mesmo coração de d. Mocinha, com a mesma voz embargada de d. Mocinha e com os mesmos olhos em espelho de lágrimas, que Ebenezer fora sepultado há duas semanas. Que sua morte fora triste como todas as mortes. Que fora mais triste ainda, por ser a dor da mãe que tem o filho sepultado antes dela.
E minha mãe chorou junto à d. Mocinha com a mesma dignidade com que sorria das alegres notícias que tempos antes vinham. Minha mãe tinha naquele momento de dor, a dignidade dos ledores e dos escribas de tantas donas Mocinhas que lhes chegavam para pedir seus olhos e suas mãos emprestados.

          
Vendedores de oração: um assalto à mão desarmada à boa fé da carência e da ingenuidade

Há algum tempo refletimos nessa Coluna sobre a má fé dos vendilhões dos templos. Não sabemos se houve efeito positivo ou negativo, mas nossa preocupação não é esta, senão a de não nos calar diante da barbárie que se espalha por meio de rádios e TVs, há muito tempo, e por redes sociais, mais recentemente, no que respeita a pregadores que se arvoram a lotear e vender o mundo metafísico aos mais carentes e ingênuos.

Não deviam também se calar jornalistas, comunicadores de vário pensamento, professores, juízes, promotores, formadores de opinião, sociedade organizada. Não deviam, mas sabemos, por exemplo, que nem a Justiça interferiria nesse vespeiro, já que a Carta Magna, em outras palavras, faculta o livre culto, a liberdade de expressão, o ir e vir do homem brasileiro nas circunstâncias normais do direito à cidadania. Nesse aspecto, parece, não há muito que fazer para coibir a imoderação de muitos que se dizem líderes religiosos e disso se apropriam para cumprir o sagrado e bendito potencial de levar o outro ao engano, segundo a força de uso língua, em muitíssimos casos, de modo agramatical, mas que convence e persuade à certeza do milagre.

Jornalistas, apesar de muitas vezes denunciarem, é certo, não veem suas revelações levadas a cabo, com apuração, investigação, punição, já que rádios e TVs, suas casas, principalmente, têm seus horários – de concessão pública – destinados aos mesmos acusados, que por seu turno, repartem interessantes fatias por muitas horas na grade de programação com retorno vantajoso para ambas as partes como diria famoso apresentador de programa de clientes insatisfeitos. 
   
Infelizmente, poucas são as notícias de clientes insatisfeitos no rendoso comércio da fé. Poucas as notícias de alguém que, se reclamaria pela má aquisição de uma geladeira, não vem a proceder quanto ao engodo de vendedores de milagres. Há um medo, um temor aos céus, estrategicamente incutidos em tão pequenas cabeças, de que haverá castigo a quem se levantar contra os homens de Deus. Nossa pergunta se faz: haverá castigo e mortificação aos tidos e havidos homens de Deus por suas maléficas ações?
 
Não é positiva a imagem de líderes religiosos eletrônicos, embutidos em bem cortados tecidos e a exibirem números de contas bancárias – nos rodapés das TVs ou por apelativas ondas do rádio – para serem recheadas por depósitos quase sempre procedentes de trabalhadoras, suadas e humildes mãos, que sustentam o luxo, a riqueza e a ostentação daqueles que pouca ou nenhuma oração fazem pelas ingênuas e amarguradas vidas que lhes abarrotam cofres.

Mencione-se ainda o lamentável comércio de amuletos: pedaços da cruz, óleos e azeites santos, terras e pedras santas, fogueiras igualmente santas, lenços ungidos, toalhas isso, toalhas aquilo, em extrema prática, que não sofre sansão de lei alguma. Liberdade de expressão ou de culto? Aonde essa liberdade pode ir? Até esbarrar na ignorância e no desconhecimento de muitos e na tolerância de todas as leis e suas exceções?

Enquanto isso, relógios de oração incessante e outros estratagemas são postos em prática mediante pagamento de pedágio para fazer funcionar a humilde fé dos muitos  desavisados. Falta, entretanto, se criar mecanismo que meça a consciência dos que pedem, para que o façam segundo a justa porção que os mantenha, e a seus templos, e faça lembrar e saber aos que doam, que em sua casa não come apenas meio pão.

Em tempo: tem faltado um Cristo que faça estalar o chicote sobre os vendilhões da fé!  

  

sábado, 6 de junho de 2015


Pra não dizer que não vi os protestos e as flores


No dia 15 de março de 2015 o Brasil explodiu em protestos, sobretudo, anti-Dilma, em que se reivindicavam impeachment (ô palavrinha!), justiça contra mensaleiros, a saída do Supremo da cena da Justiça (pelo menos foi o que apareceu em uma faixa carente de revisão de português), investigações quanto ao escândalo da Petrobras, o fim da corrupção, entre outras propostas. 

Exercer o direito de protestar é legítimo, democrático e, sem dúvida, um ato político, e há de se fazê-lo, sim. Há de se apontar os erros, os desmandos, as injustiças cometidas por quem está à frente dos destinos do povo, o que envolve não somente o Executivo, mas as outras instâncias como o Legislativo e o Judiciário, e em todos os níveis da federação. Há de se protestar. Há de se gritar e tomar as ruas. Nada demais! É direito. É legítimo, É democrático. 

No entanto, o que se percebeu – e é só dá uma olhada nas imagens, nos textos sobre o evento e nas atitudes de quem dele participou – foi destilação de ódios, segregação de classes, divisão da sociedade. O que se viu foi um movimento de orla, de cidadãos que se vestiram com a camisa da Seleção Brasileira não em protesto coletivo, no sentido real de povo, mas naquele em que o olhar para umbigo prevalece. Algum ingênuo viu pessoas do povo – salvo um ou outro desavisado que de tudo participa sem pensar – nessa marcha de 15 de março? 

Numa outra ocasião mencionei que não se podem esconder sob o tapete os envolvimentos escusos do PT. E pelo que consta, ninguém do partido deseja fazê-lo. Também não há como justificar os desmandos do partido em comparação com o que sempre se viu no passado. Na verdade, o Partido dos Trabalhadores não pode se eximir de suas irresponsabilidades. Nem deve. Há de se permitir investigação, julgamento e condenação, mediante a comprovação dos fatos. Tarefa da Justiça. É notório que as investigações têm sido permitidas e, devem ser, e os processos levados a cabo. Há de ser. 

Voltemos, porém, aos passeios de praia de março em todo o Brasil. Impressionaram por demais os chamados selfies com policiais a que as elites sempre detestaram, humilharam e em quem sempre deram carteiradas. Era de se esperar que cassetetes brandissem no ar? Não. De forma alguma. Pode-se protestar em paz, civilizada e racionalmente, em qualquer circunstância. A sutileza talvez não percebida na caminhada de 15 de março é que os cartazes (algo estratégico?) em que se pediam a volta dos militares não permitiam que houvesse repressão. Soaria contraditório e seria uma lástima. 

O pior de tudo foram os diversos textos em inglês em apelo à volta desses mesmos militares. Num deles, na orla alagoana, (mas frise-se, ocorreu em todo o Brasil), lê-se: “SOS FORÇAS ARMADAS”. E na versão para a língua de Shakespeare: “SOS ARMED FORCES”. Outras idiotices completavam a faixa ainda em português e inglês. 

O mais interessante e paradoxal, portanto, foi o clamor pela volta das Forças Armadas com entoação de “Caminhando”, mais conhecida como “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, (que até hoje sofre dolorosas consequências) e é considerado o hino-símbolo de maior protesto contra a Ditadura Militar que nos deu uma noite de vinte e um anos. 

Será que o mundo velho ainda tem jeito? 


Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior, jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada fluminense.


Escolas: que governo inscreverá o nome nas questões educacionais?

No último resultado do Exame Nacional de Ensino Médio – Enem, dos mais de seis milhões que fizeram as provas, acima de meio milhão zerou a redação.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep revelam: “[...] entre os que zeraram a redação, 13.039 copiaram textos motivadores da prova; 7.824 escreveram menos de sete linhas; 4.444 não atenderam ao tipo textual solicitado; 3.362 tiraram zero por parte desconectada e 955 por ferirem os direitos humanos. Outras 1.508, por outros motivos”.
Sob o horroroso e rimado tema Publicidade infantil em questão no Brasil não dá para escrever muita coisa, convenhamos. Não dá, não pelo tema, qualquer tema, mas pelo despreparo de boa parte do alunado brasileiro. Se não se sabe o que é publicidade não dá para discorrer sobre. Se não se tem o menor conhecimento a respeito de exploração infantil, (publicidade com uso de criança é um tipo de exploração infantil, apesar de permitida, por ser arte, mas tem fim comercial com a imagem do outro), não se discorrerá sobre.  
No entanto, o fulcro da questão não está no tema do último Enem. Vai mais longe: falta o incentivo à escrita; não há o gosto pela leitura nem pela escola; não há respeito ao professor em casa e, consequentemente, não o há na escola. Resultado: a escola tem estado à margem e na contramão. Professores de mãos atadas em meio a alunos desordenados e que nada querem, que não demonstram o menor interesse, que destratam e agridem seus mestres e, o mais grave, sob a proteção politiqueira do próprio Estado, que subvenciona o lastimável comportamento com tantas leis absurdas.    
Se as famílias não colaborarem, se o Estado continuar de olhos fechados os educadores irão sofrer por muito tempo, pois a educação se faz com alunos, professores e pais. A escola visa o crescimento da sociedade, pois para ela trabalha na formação do outro que a ela pertence. Se a escola não puder levar o cidadão ao conhecimento, se não puder despertar o interesse, se não puder levar o outro à autonomia, a quem formará?
O grande desafio para a escola é vencer barreiras quase intransponíveis de desinteresses: pais, alunos, sociedade e, até alguns professores, que pouco ou nada têm feito para mudar, num tempo em que se cobram mudanças.
Educar é construir, mas só se erguem casas com base, com alicerce, com fundação sólida. Não adianta criar tantos programas sociais em detrimento do maior e mais importante deles: o da educação.
Programas sociais são importantes. Há a necessidade da ação do Estado no que respeita aos que precisam, mas se ir a escola for justificativa para se manterem benefícios sociais e sem responsabilidade alguma do governo, dos pais, e do próprio aluno, há de se repensar e discutir o que isso já tem trazido hoje e como será o futuro.  
Do contrário, continuaremos a escrever errado por linhas tortas. E sobre qualquer tema.

Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior, jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada fluminense.

 Telhado de vidro ou... Macaco que só olha o rabo dos outros...

Nos últimos anos vivemos escândalos que nos abalam profundamente, que nos jogam em abismos profundos tanto dentro quanto fora do país. Sequelas que fazem com que vivamos coletivamente tamanha baixa autoestima que só o tempo cura. E haja tempo.

Sabe-se que o Partido dos Trabalhadores e os que com ele afinizam foram os grandes bastiões no combate à corrupção, a falcatruas, a desmandos de toda espécie, sobretudo, nos anos oitenta e noventa do século passado e início deste. Basta uma volta ao calendário para lembrarmos que há não muito tempo um presidente da República com todo o seu séquito foi derrubado. Em meio a essa renhida luta estavam o PT, a UNE, a UBES, os sindicatos e a sociedade organizada.

Com a ascensão do Partido dos Trabalhadores em 2002, houve uma onda de esperança em todo o país. Todos foram embalados pela bela frase de Luiz Inácio da Silva, de que “a esperança venceu o medo”. Quem não se emocionou com essas palavras? Quem deixou de ter esperança? Infelizmente, não muito tempo depois, começou-se a ter medo de que a esperança fraquejava. Ninguém acreditava no que via e ouvia e os escândalos brotavam. A prática antiga do que no governo do PT ficou conhecido como Mensalão foi o grande estouro da boiada. A grande descrença. O governo, no entanto, seguiu firme com seus justos e bons programas, com suas metas. E, segunda chance. Novo mandato. Novos acreditares.

Terceira vez, o partido se faz presente. Agora é uma mulher que ascende ao poder. Esperanças se renovam. Popularidade sobe. Crenças se avolumam. Orgulho coletivo de se ter uma mulher no comando do país, e pela primeira vez. Novamente, desesperança, escândalos, prisões, solturas, sensação de impunidade. Petrobras. Investigações, demandas, pelejas, imprensa envenenadora, maledicente, dúbia. Os problemas continuam, mas é certo e notório também que o PT permite investigar, não esconde, escancara. Mas não adianta, pois dói, fere e machuca por demais, a certeza da impunidade, embora isto fuja, pelo menos teoricamente, ao Partido, já que é foro da Justiça e a esta cabe julgar, condenar, absolver.

Nossa reflexão, no entanto, se faz não em torno de o PT está envolvido em tantas questões, pois que essas não são novas, uma que já nasceu nosso país sob a égide da corrupção, o que não justifica o continuarmos a ser corruptos. Nosso questionamento se dá quando nos vem à cabeça que o Partido dos Trabalhadores jogou pedras em telhados de vidro sem perceber que construía o seu com igual matéria. De repente, não percebeu o Partido que macaco que só olha rabo dos outros esquece o seu.

Desse modo, sejamos ou não seguidores ou simpatizantes do Partido da estrela vermelha, sejamos justos: não há como jogar a decepção para baixo do tapete.

E temos dito!        

Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior, jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada fluminense.