segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


Nova ortografia: um lembrete aos falantes da língua portuguesa

Vivenciamos a adaptação à nova ortografia desde 1.º de janeiro de 2009, período que se estende a 1.º de janeiro de 2013. Quatro anos de ajustamento ao que se propôs em língua portuguesa, quanto às novidades e mudanças em relação apenas à palavra escrita e do ponto de vista ortográfico, o que se estende a todos os países lusófonos. Não estamos inocentes de que essa nova prática ortográfica teria um tempo determinado para adaptação, e de que, terminado esse prazo, entra em vigor o acordo que atravessou, para discussão e aprovação, toda a década de 90 e quase uma década do século atual.
Desse modo, lembrem-se todos que, em prova de qualquer natureza, documentos oficiais, textos jornalísticos, jurídicos, entre outros, em língua portuguesa, do próximo ano em diante, serão elaborados segundo essas novas regras ortográficas. A insistência ou resistência em manter tradição linguística implicará erro gramatical, o que redundará em prejuízo àquele que persiste em não aceitar as mudanças que, de certo modo, revelam o dinamismo inerente a toda língua viva.
Só para lembrar: dobram-se o –S e o –R se estes forem seguidos de vogal como em ultraSSonografia e ultraRRomântico, neoSSimbolismo e contraRRegras. Não se escreve mais lingüiça, e sim, linguiça, embora essa iguaria brasileira continue a ser a pedida em nossos barzinhos populares. Não se escreve zôo, abreviatura de zoológico, mas zoo, sem o circunflexo, mesmo que lá estejam animais e que deles não judiemos e os respeitemos. Não se escreve crêem, mas creem, embora crenças continuem. Não é para se escrever feiúra, mas feiura, apesar de que, quem amar ao feio bonito este lhe pareça. Não se escreve alcatéia, mas alcateia, coletivo de lobo, mesmo havendo lobos em peles de ovelhas. Colméia passa a ser colmeia, mas a vida pode ser doce. Tramóia passa a tramoia. Coisa feia! Deixe-se disso!
E heróico, ah, esse é a cara do povo brasileiro! E passa a ser heroico. Pura feição do nosso povo que dá brados retumbantes... Apesar de tudo...
Querida platéia, ou melhor, querida plateia, voltaremos na próxima com mais informações. Até lá, com mais uma odisséia da língua portuguesa. Opa! Com mais uma odisseia da língua portuguesa.
Ah! Não esqueçam: 1.º de janeiro de 2013, todos a escreverem segundo a nova ortografia. E sem paranóia!


Pedro Pernambuco. Pseudônimo de Simão Pedro dos Santos, professor da Universidade Severino Sombra  Vassouras - RJ.  e do Centro de Estudos Integrados - Barra do Piraí - RJ. Apresentador do Programa Rodas musicais e outras conversas, aos domingos, a partir das 9h, com repetição às 17h.

Cinquenta vezes mais... Nova ortografia

Senhores,
Ainda uma vez estamos aqui para tratar das mudanças ortográficas que a 1.º de janeiro de 2013 entram em vigor. Não esqueçamos!

Com a devida exceção, -K, -W e -Y não são usados para nomes próprios, como é comum à Kamilla (se há como escrever Camila); Wânia, (se há como grafar Vânia); e Yvan, (se há como escrever Ivan). Por favor, senhores tabeliães, há correspondentes em português para substantivos como esses.

Expliquemos: -K, -W e -Y, tão presentes em nossa língua, são usados na escrita de símbolos e unidades de medidas. Nesse caso, -K será útil para mencionar, por exemplo, km, kg, kl abreviados, mas se escritos por extenso, deverão aparecer dessa forma: quilômetro, quilograma e quilolitro.
-W interessa a abreviações como watt (usado em áreas como a da eletricidade).
-Y pode indicar, universalmente, na tabela periódica, o elemento químico o Ítrio (escrito assim, em português).

No entanto, fiquem atentos: nomes próprios de origem estrangeira que não têm correspondente em português deverão se manter. Desse modo, William, não é Ulian; Washington, não é Uóston e Wellington não é Ueliton. Por favor, show se escreve assim, playboy, idem e kung fu, também.

Quem aguentará alguém que não se adapte às novas regras? Consequentemente, não aceitem em seus escritórios secretárias bilíngues que não se expressem em bom português. Meu Deus! Como será o inglês de alguém que não sabe minimamente seu idioma? Essa é a nossa arguição, essa é a razão da defesa de nossas ideias. E como há delinquentes dessa velha e poética língua de Camões! Mas fiquemos tranquilos: um dia tudo dará certo, talvez em dez quinquênios, ou melhor, daqui a cinquenta anos.
Lembremos, portanto, que Müller e derivados se escrevem dessa forma, pois é vocábulo de origem estrangeira. Nunca escrevam Muller.

Não temamos! Nesse velho mundo cheio de lobos, há muitas alcateias, muita malícia, muita armadilha. Mas dia, os que estiveram em garras de lobo, poderão viver asteroides, planetoides de felicidades! Merecido!
Embora seja uma odisseia, procurem saber que paroxítonas seguidas de ditongos abertos -éi e -ói perderam o acento agudo que os seguia. Muito cuidado!

Não esqueçam: para ser herói ou para termos heróis, havemos de conhecer os papéis de cada um na sociedade. E só assim distribuiremos troféu ou troféus a quem merece. Saibam que oxítonas finais serão sempre acentuadas, flexionadas ou não.

Magoo, abençoo, perdoo, voo, veem e deem se escrevem assim. Por exemplo, não magoo a ninguém. Abençoo e perdoo a todos, pois os que veem com o coração enxergam sempre à frente e alçam voos para o infinito de suas ideias.  

Ficamos por aqui. Por enquanto. Antes que alguém me grite: para com essas ideias, rapaz! Pelo-me de medo de importunar os outros. Pararei por aqui.
E de um polo a outro dessa fala, não sei fico mudo, se me aquieto, se me tranquilizo ou se irei jogar polo, a cujas regras desconheço. Pode isso? Acho que não pode. Para ser franco, acho que nunca pôde!    


Pedro Pernambuco. Pseudônimo de Simão Pedro dos Santos, professor da Universidade Severino Sombra  Vassouras - RJ e do Centro de Estudos Integrados - Barra do Piraí - RJ.