segunda-feira, 12 de março de 2012

Mesa de demolição e outros materiais poéticos: Canção às mulheres ao modo de cordel, sob o mote: ...

Mesa de demolição e outros materiais poéticos: Canção às mulheres ao modo de cordel, sob o mote: ...: Canção às mulheres ao modo de cordel , sob o mote: A mulher é uma flor que nasceu no paraíso... Senhores, esta é uma homenagem à mulher...

Canção às mulheres ao modo de cordel, sob o mote: A mulher é uma flor que nasceu no paraíso...

Senhores, esta é uma homenagem à mulher pelo seu dia internacional.
Tomara vocês gostem.
Nosso desejo é o de que o 8 de março tenha sido bem comemorado.
Vivas às mulheres!
Este texto foi feito por mim, em uma reunião do curso de Enfermagem da Universidade Severino Sombra, em Vassouras - RJ, no ano de 2008, por ocasião desta data especial.
Abraço a todos.


Que tristeza para o homem
Se pobre e sozinho vivesse!
Triste e só, talvez morresse
Pois tristezas só consomem.
Mas todas as dores somem
Quase como um improviso
Pois no momento preciso
Vem a mulher, sai a dor
A mulher é uma flor
Que nasceu no paraíso!

A mulher completar veio
Do homem a outra parte
Quem a fez usou de arte.
É a mulher nosso esteio
A mulher em nosso meio:
É mãos, é pés, nosso sizo
É paz, é sonho, é sorriso
É brilho, é luz, esplendor
A mulher é uma flor
Que nasceu no paraíso!

Do homem sem a mulher
Oh! Meu Deus, o que será?
Muito pobre ficará
Por rico que a ser vier!
Será um pobre qualquer
Reticente e indeciso
Uma boca sem sorriso
Uma vida sem ter cor
A mulher é uma flor
Que nasceu no paraíso!

Cláudias, Lilias e Joanas
Magdas, Cátias e Marias
Tão pobres os nossos dias
Sem Doras, Alices, Anas
Sem Elaiaras, Adrianas...
Oh! Que momento impreciso!
Que tamanho prejuízo!
Sem Margaridas, que dor!
A mulher é uma flor
Que nasceu no paraíso!

Não vieram de costelas
Como diz o Livro Santo
Acho que não peco tanto
Se com Deus criar querelas.
Essas criaturas belas
Ele fez usando o sizo
E num momento preciso
Ele as fez usando o amor
A mulher é uma flor
Que brotou no paraíso!

Se Deus esse mundo fez
Elas a vida nos dão
Solo fértil, e o grão
Explode em gravidez!
E a vida mais uma vez
Entre nós se faz patente.
Que o homem não seja ausente
E agradeça ao Criador
Pois Ele com muito amor
Nos deu tão belo presente!

Apresento-me!

Meu nome de pia, como o de qualquer Severino, é Simão Pedro dos Santos.

Sou pernambucano, atuo como professor universitário (Letras e outros cursos, na rede particular) e leciono também no ensino médio (rede particular).

Tenho mestrado em literatura brasileira. Atualmente, curso doutorado, igualmente em literatura brasileira. Estudo a literatura erudita e a popular com o mesmo prazer. Gosto de leituras, e, vez por outra me aventuro na feitura de textos. Faço-o como amador e não tenho a menor pretensão com isto.

Moro no Rio de Janeiro há mais de vinte anos e tenho o maior amor e respeito por este lugar. Especificamente, resido em Vassouras, que fica no sul fluminense.

No mais, gosto das coisas simples. Sou um amante das coisas boas...

Moro com Adriana (esposa), Bruno, Iago e Ana Raquel (filhos).

“Bebo pouco. Falo menos ainda” (Manuel Bandeira), mas reinvento as coisas do cotidiano, inclusive, adoro a Teodoras e amo a Marias...

Acho que é só.

sábado, 10 de março de 2012


Thiago de Mello, poeta da liberdade e dos poemas azuis
                                                Prof. Pedro Pernambuco

No dia 10 de dezembro de 1948 foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos na Assembleia Geral das Nações Unidas. O mundo saíra, havia três anos, da Segunda Grande Guerra e aspirava à paz, embora pequenos reinos, povos africanos, gentes das mais diferentes castas brigassem, e com muita violência, mas por direitos, em torno de liberdade, independência e justiça, na ânsia de encontrar a tão paradoxal paz. Mas o velho mundo não mudou! E, parece, não irá mudar.

Alguns anos depois, precisamente, na década de 60, África, Ásia e quase todas as Américas vivem profunda crise política sob ditaduras, assim mesmo, em letras minúsculas, e suas tiranias: prisões, bocas e olhos vendados, cerceamentos, vigilâncias, perda de liberdade, no sentido mais amplo, e perseguição aos que não concordavam com este status quo, a saber, poetas, músicos, pintores, artistas das mais variadas linguagens, além de políticos contrários à situação.

No Brasil, o regime totalitário tem início a 30 de março de 1964. E como todo regime dessa natureza, declarou, aos poucos, o silêncio. Nossa musa calou? De forma alguma! Poetas criaram simulacros que lhes permitiam dizer verdades nas entrelinhas, como é próprio do bom texto. Basta lembrar um Gilberto Gil, um Caetano Veloso, um Chico Buarque, entre outros, todos unânimes no combate à ausência de liberdade, e, consequentemente, na luta pela liberdade de criação e de expressão. Esses artistas são, porém, conhecidos do grande público por sua poesia e música terem sido veiculadas em registros fonográficos, Festivais de Música, teatros, nas ruas...

Um poeta, no entanto, talvez menos conhecido na época, se achava exilado no Chile, especificamente em sua capital. Era Thiago de Mello, que cria em abril de 1964, um dos mais belos poemas da literatura brasileira. Trata-se de Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente), que foi dedicado a Carlos Heitor Cony, outro defensor das liberdades. O poema transparece um nítido diálogo com os Atos punitivos do governo ditatorial brasileiro, os chamados Atos Institucionais, e como o primeiro deles é de 9 de abril de 1964, é certo que o poeta, com seu olhar aguçado, constrói criticamente sua poesia engajada sem usar de violência, mas tendo como arma a palavra.

Como na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e nos nossos Atos Institucionais, o poema apresenta estrofes-artigos com palavras de ordem que levam unicamente aos ideais de liberdade e de justiça, o que o aproxima do texto da Declaração Universal e o diferencia em muito, daqueles dos ditadores. Não nos é possível apresentar na íntegra o poema, devido às 15 estrofes de que se compõe, mas faremos uma pequena mostra daquilo que parece mais interessante. Perdão. Será que as outras estrofes são menos interessantes? Definitivamente, não.

Primeiramente, leiam os fragmentos a seguir: 

Artigo I 

Fica decretado que agora vale a verdade. 
agora vale a vida, 
e de mãos dadas, 
marcharemos todos pela vida verdadeira. 

Artigo II 

Fica decretado que todos os dias da semana, 
inclusive as terças-feiras mais cinzentas, 
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III 

Fica decretado que, a partir deste instante, 
haverá girassóis em todas as janelas, 
que os girassóis terão direito 
a abrir-se dentro da sombra; 
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, 
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Parágrafo único: 
O homem, confiará no homem 
como um menino confia em outro menino. 

Artigo V 

Fica decretado que os homens 
estão livres do jugo da mentira. 
Nunca mais será preciso usar 
a couraça do silêncio 
nem a armadura de palavras. 
O homem se sentará à mesa 
com seu olhar limpo 
porque a verdade passará a ser servida 
antes da sobremesa. 

Artigo Final. 
Fica proibido o uso da palavra liberdade, 
a qual será suprimida dos dicionários 
e do pântano enganoso das bocas. 
A partir deste instante 
a liberdade será algo vivo e transparente 
como um fogo ou um rio, 
e a sua morada será sempre 
o coração do homem. 

Caríssimo leitor, depois que você leu nosso poeta, apresento-lhe os meus decretos em caráter irrevogável, e que entrarão em vigor após sua publicação:

A partir de agora fica decretada a leitura deste poeta que merece ser mais conhecido e reconhecido por todos os que gostam de poesia e dos homens sábios. Ademais, a boa poesia da humanidade, e de todos os tempos, nos faz enxergar a verdade e a esperança. Faz-nos vislumbrar o grande sinal, de que, unidos e de mãos dadas, todos os homens alcançarão a verdade, a libertação e a sabedoria.

A partir de agora fica decretado que a poesia é leitura obrigatória nas fábricas, nas escolas, nas ruas, nas praças, no campo, nas varandas, nas sacadas dos prédios, nos ônibus... Em viagens sem limites.

A partir de agora fica permitido inclusive, que se grafitem com letras garrafais, e em todos os muros, que a poesia é nossa salvação.
A partir de agora fica decretado que jamais será proibido ler... E sonhar...

Criei este blog para postar artigos, comentários sobre literatura, música, rádio e outras amenidades diárias, com o intuito mais de estabelecer contatos com os que têm afinidade com propostas dessa natureza, e só... Não há aqui intenção alguma de fazer críticas, considerações literárias ou comentários que não caibam. Não há aqui ar professoral. É apenas um passatempo em torno do que gosto: arte em todas as suas cores e ideias.

Pedro Pernambuco.