quinta-feira, 19 de junho de 2014

Ano de Copa, ano de eleições: discutamos as eleições II                                                     
                                                      Prof. Pedro Pernambuco* 

Em 1994 experimentamos pela primeira vez, e em pequena mostra, a tecnologia do processo eleitoral. A urna eletrônica é um dos maiores avanços do país no quesito eleição e se afirma em todo o país desde o ano 2000.
Com desconfiança, mas para cumprir seu “compromisso democrático”, como se usa dizer nesse país de sonhos e deslumbramentos, os eleitores têm ido escolher seus candidatos. Apesar das falhas previstas dos equipamentos, a investida é avaliada de modo positivo, o que deixa uma perspectiva saudável de crença na tecnologia nacional, já que o aparato é estritamente nosso.
Orgulho da terra de Pindorama, as urnas eletrônicas, passados vinte anos de experimentação, têm trajetória de aperfeiçoamento e eficiência. Justo nessa sequência,  desdobra-se outra novidade: a Identificação Biométrica.
Esse procedimento garante, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, que se tenha não só “um sistema de votação verdadeiramente democrático” como seguro, pois uma vez feito o recadastramento biométrico, que é o cadastro das impressões digitais dos eleitores, se impede também “que uma pessoa tente se passar por outra no momento da identificação em um pleito – já que não existem impressões digitais iguais”.
O Programa de Identificação Biométrica do Eleitor, como passa a ser conhecido, tem sido implantado e experimentado aos poucos pela Justiça Eleitoral: a primeira etapa se deu em 2008, a segunda, em 2011 e a terceira, em 2013, com vistas às eleições de 2014.
Pensar a tecnologia do processo eleitoral brasileiro é dizer dos avanços que alcançamos desde os primeiros anúncios de inovação, em 1986, até nossos dias. No entanto, se somos vanguarda tecnológica no que concerne às urnas eletrônicas, por que não o somos no quesito democracia eleitoral?
As mesmas propagandas sobre as urnas, e, mais recentemente, as que envolvem o Recadastramento Biométrico dão conta de que se o eleitor não comparecer no dia e horário agendados para o recadastramento terá cancelado o seu título.
Sabe-se que título eleitoral cancelado redunda uma série de consequências, a saber, não se pode inscrever em concurso ou prova para cargo ou função pública, investir-se ou empossar-se neles; não se obtém passaporte ou carteira de identidade; não se renova matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo, entre outros, pois são nove itens punitivos e antidemocráticos.
Soa obsoleto e contraditório perceber que, apesar da alta tecnologia eleitoral, sejamos impelidos ainda ao voto obrigatório, e punidos, caso não cumpramos o ideal de cidadão, num evento a que cunham ironicamente de “Festa da Democracia”.   
Dói, no entanto, saber como são parcas as punições àqueles em quem votamos, quando não cumprem suas obrigações de cidadão. Há como entender?
Aplausos à tecnologia e à “democracia” brasileiras!

*Pseudônimo de Simão Pedro dos Santos – Professor de Letras da Universidade Severino Sombra – Vassouras – RJ e de Literatura Brasileira do Centro de Estudos Integrados – Barra do Piraí – RJ. 

(Texto originalmente publicado na coluna Escrivaninha de Cedro, mantida por mim no Tribuna do Interior, periódico editado em Vassouras-RJ, com circulação em toda a região sul e em parte da Baixada Fluminense).



2014: ano eleitoral – que eleitores devemos ser?
                                                                              Pedro Pernambuco*

2014 é ano de escolha para o Legislativo e o Executivo. O que fazer para  eleger candidatos que correspondam às nossas expectativas, sem que nos enganemos? Que cidadão está apto a um cargo eleitoral sem interesses particulares? Que eleitor está apto a votar sem interesses igualmente particulares?

Havemos de entender que político é quem é eleito e exerce atividade pública, com o fim de bem governar. Entendamos que político é quem participa dos destinos de seu município, de seu estado, de seu país. É o que tem interesse em questões ambientais, que propõe a melhoria de sua comunidade, que escolhe líderes sérios, que não joga lixo nas ruas, que respeita a direitos e  sabe de seus deveres. Nesse caso, em cumprirmos isto, todos somos políticos.

Aristóteles, filósofo grego, afirmara séculos antes de Cristo, que todo homem é um ser político. Fácil de entender: que não só opina, mas participa das discussões da cidade, ou seja, da Polis, pois todo ser político visa o bem comum, já que o homem é um ser gregário, ou seja, não vive só, segundo ainda o mesmo Aristóteles.

Fazer política, no entanto, não é ser politiqueiro, não é tomar parte da politicagem, mas, conscientemente, agir, com o fim de ampliar, melhorar, fazer com que ideias inteligentes sejam aplicadas em sociedade para o bem de todos e não de grupos isolados, particulares, que trabalham em torno de si. Fazer política, viver política, como cidadão que vota, não é trocar favores, mas vivenciar o interesse social com caráter democrático.

Fazer e viver a política é, teoricamente, e na prática, ser cidadão que não faz escambo com seu voto. Telhas, tijolos, remédios não têm, não deveriam ter valor de voto. Se há essa troca, não há cidadania de nenhum dos lados: eleitor e candidato precisam repensar atitudes. A venda do voto não permite a exigência, em seguida. Quem o compra, demonstra não ter compromisso algum. O que esperar de quem vende e de quem compra votos?

Há de se compreender, por exemplo, que quem é eleito para o Legislativo tem por função criar, modificar ou até revogar leis para o Estado e para os que nele  vivem. Ao Legislativo cabe representar a maioria e a minoria dos cidadãos, além de fiscalizar atos do Executivo, no zelo pelo bem-estar da coletividade. Legislar não é trabalhar em causa própria, como infelizmente, tem ocorrido. Legislar não é criar mecanismos de enriquecimento, como vemos à plena luz do dia. A sociedade ainda tem estado imatura no sentido de fiscalizar àquele a quem escolheu em quaisquer das instâncias políticas.

Temos, graças à tecnologia da informação, e ao consequente advento das redes sociais, outra arma junto ao voto, agido de forma mais consciente, pois denúncias se disseminam mais rapidamente, irresponsabilidades são tornadas públicas ou instantaneamente, ou quase, desmandos vários são postos a nu com a rapidez de um clic, desde que também isto seja feito com responsabilidade e respeito. Mudanças e ideias podem ser propostas mediante sites e e-mails dispostos por políticos das mais variadas bandeiras e pensamentos, o que é um avanço, embora ainda não seja suficiente.

O mundo está de portas abertas. Redes sociais as escancararam. Façamos disto e do nosso voto janelas, através da qual possamos deslumbrar melhor futuro para a geração que nos sucederá.
     
*Pseudônimo de Simão Pedro dos Santos – Professor de Letras da Universidade Severino Sombra – Vassouras – RJ e de Literatura Brasileira do Centro de Estudos Integrados – Barra do Piraí – RJ. 

(Texto originalmente publicado na coluna Escrivaninha de Cedro, mantida por mim no Tribuna do Interior, periódico editado em Vassouras-RJ, com circulação em toda a região sul e em parte da Baixada Fluminense).