quinta-feira, 19 de junho de 2014


2014: ano eleitoral – que eleitores devemos ser?
                                                                              Pedro Pernambuco*

2014 é ano de escolha para o Legislativo e o Executivo. O que fazer para  eleger candidatos que correspondam às nossas expectativas, sem que nos enganemos? Que cidadão está apto a um cargo eleitoral sem interesses particulares? Que eleitor está apto a votar sem interesses igualmente particulares?

Havemos de entender que político é quem é eleito e exerce atividade pública, com o fim de bem governar. Entendamos que político é quem participa dos destinos de seu município, de seu estado, de seu país. É o que tem interesse em questões ambientais, que propõe a melhoria de sua comunidade, que escolhe líderes sérios, que não joga lixo nas ruas, que respeita a direitos e  sabe de seus deveres. Nesse caso, em cumprirmos isto, todos somos políticos.

Aristóteles, filósofo grego, afirmara séculos antes de Cristo, que todo homem é um ser político. Fácil de entender: que não só opina, mas participa das discussões da cidade, ou seja, da Polis, pois todo ser político visa o bem comum, já que o homem é um ser gregário, ou seja, não vive só, segundo ainda o mesmo Aristóteles.

Fazer política, no entanto, não é ser politiqueiro, não é tomar parte da politicagem, mas, conscientemente, agir, com o fim de ampliar, melhorar, fazer com que ideias inteligentes sejam aplicadas em sociedade para o bem de todos e não de grupos isolados, particulares, que trabalham em torno de si. Fazer política, viver política, como cidadão que vota, não é trocar favores, mas vivenciar o interesse social com caráter democrático.

Fazer e viver a política é, teoricamente, e na prática, ser cidadão que não faz escambo com seu voto. Telhas, tijolos, remédios não têm, não deveriam ter valor de voto. Se há essa troca, não há cidadania de nenhum dos lados: eleitor e candidato precisam repensar atitudes. A venda do voto não permite a exigência, em seguida. Quem o compra, demonstra não ter compromisso algum. O que esperar de quem vende e de quem compra votos?

Há de se compreender, por exemplo, que quem é eleito para o Legislativo tem por função criar, modificar ou até revogar leis para o Estado e para os que nele  vivem. Ao Legislativo cabe representar a maioria e a minoria dos cidadãos, além de fiscalizar atos do Executivo, no zelo pelo bem-estar da coletividade. Legislar não é trabalhar em causa própria, como infelizmente, tem ocorrido. Legislar não é criar mecanismos de enriquecimento, como vemos à plena luz do dia. A sociedade ainda tem estado imatura no sentido de fiscalizar àquele a quem escolheu em quaisquer das instâncias políticas.

Temos, graças à tecnologia da informação, e ao consequente advento das redes sociais, outra arma junto ao voto, agido de forma mais consciente, pois denúncias se disseminam mais rapidamente, irresponsabilidades são tornadas públicas ou instantaneamente, ou quase, desmandos vários são postos a nu com a rapidez de um clic, desde que também isto seja feito com responsabilidade e respeito. Mudanças e ideias podem ser propostas mediante sites e e-mails dispostos por políticos das mais variadas bandeiras e pensamentos, o que é um avanço, embora ainda não seja suficiente.

O mundo está de portas abertas. Redes sociais as escancararam. Façamos disto e do nosso voto janelas, através da qual possamos deslumbrar melhor futuro para a geração que nos sucederá.
     
*Pseudônimo de Simão Pedro dos Santos – Professor de Letras da Universidade Severino Sombra – Vassouras – RJ e de Literatura Brasileira do Centro de Estudos Integrados – Barra do Piraí – RJ. 

(Texto originalmente publicado na coluna Escrivaninha de Cedro, mantida por mim no Tribuna do Interior, periódico editado em Vassouras-RJ, com circulação em toda a região sul e em parte da Baixada Fluminense).


Nenhum comentário:

Postar um comentário