Ano de eleições: reflitamos
Pedro
Pernambuco*
Revisor.uss@gmail.com
Mais
uma vez, chegam as eleições. É possível esperar um país melhor? Para alguns, é
possível: esperanças se renovam, apesar de desventuras, de ires e vires, de
traições, das promessas... Há quem creia na mudança, em realizações. Pode ser
que para os próximos quatro anos as coisas deem certo. Até lá, podemos ter uma
vida e uma realidade melhores. Sigamos.
Não
esqueçamos de que em nossas mãos está a escolha. O risco disso recai apenas sobre nossas
cabeças. Saber escolher é o que nos resta. É o que alegamos todos os anos.
Vamos à pergunta, porém: como fazer para empreender a boa escolha? (O referencial aqui é o do eleitor sério, que
não se vende, que não barganha seu voto). Como escolher, sem cair engodo, no “conto
do vigário”, nas malhas da enganação?
Precisamos
de uma receita, de uma fórmula para, na condição de milhões de eleitores, termos
a sensação de que soubemos decidir o futuro do Brasil. Temos o poder do voto,
mas não dispomos do da profecia, do ver antes, da adivinhação.
Como
fazer essa escolha? Como saber (e não nos referimos às raposas a que já
conhecemos), que podemos confiar numa renovação que corresponda aos ideais de
honestidade, de fidelidade, de resposta e respeito aos cidadãos? Quantos há nessa eleição que transmitam a
ideia de que, por Brasília ou pelas Assembleias de seus estados, irão
representar o voto que receberam?
Quantos
há para honrar compromisso com saúde, educação, transporte, emprego, moradia?
(Para falarmos apenas desses necessários chavões). Não é fácil escolher. Interesses
particulares ou de grupos se pulverizam para setores como o mercado, as várias empresas,
a religião, (leia-se igrejas-empresas com interesses escusos), o futebol e toda
sorte de cartéis que se possa imaginar.
Como
fazer? Como arcar com tamanha responsabilidade? Depararemos com promessas, incansáveis repetições, programas
os mais diversos e estapafúrdios. Desses, já sabemos, e neles acreditaremos segundo
o tamanho de nossa ingenuidade, contudo, o que faremos se não somos os ingênuos?
Vivemos uma crise tão desproporcional no ambiente político, que das tantas agulhas do palheiro, talvez não encontremos uma. E se uma encontrarmos, para não ser tão cruéis, essa não disporá de fio suficiente, para tecer os nossos ideais, pois não adianta a boa linha se o tecido estiver velho e apodrecido, como já dissera o Cristo.
Como
fazer, meus irmãos, a boa escolha? O que mais dói é ter de fazer essa escolha. Como
não há saída, tudo está em nossas digitais, em nossa consciência, em nosso
olhar. Mais uma vez, confiemos (os eleitores sérios), que haja pelo menos duas
agulhas a que possamos creditar o tecer dos ideais da mudança que desejamos,
para que venhamos viver numa sociedade justa, séria, digna e solidária.
No mais, não lavemos as mãos, pois
há mais Barrabás do que Cristo nesse grande mundo de Deus.
*Pseudônimo de Simão Pedro dos Santos – Professor de Letras
da Universidade Severino Sombra – Vassouras – RJ e de Literatura Brasileira do
Centro de Estudos Integrados – Barra do Piraí – RJ.
Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior,
jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada
fluminense.
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