segunda-feira, 1 de setembro de 2014

                                                Ano de eleições: reflitamos
Pedro Pernambuco*
Revisor.uss@gmail.com
Mais uma vez, chegam as eleições. É possível esperar um país melhor? Para alguns, é possível: esperanças se renovam, apesar de desventuras, de ires e vires, de traições, das promessas... Há quem creia na mudança, em realizações. Pode ser que para os próximos quatro anos as coisas deem certo. Até lá, podemos ter uma vida e uma realidade melhores. Sigamos.

Não esqueçamos de que em nossas mãos está a escolha.  O risco disso recai apenas sobre nossas cabeças. Saber escolher é o que nos resta. É o que alegamos todos os anos. Vamos à pergunta, porém: como fazer para empreender a boa escolha?  (O referencial aqui é o do eleitor sério, que não se vende, que não barganha seu voto). Como escolher, sem cair engodo, no “conto do vigário”, nas malhas da enganação?

Precisamos de uma receita, de uma fórmula para, na condição de milhões de eleitores, termos a sensação de que soubemos decidir o futuro do Brasil. Temos o poder do voto, mas não dispomos do da profecia, do ver antes, da adivinhação.

Como fazer essa escolha? Como saber (e não nos referimos às raposas a que já conhecemos), que podemos confiar numa renovação que corresponda aos ideais de honestidade, de fidelidade, de resposta e respeito aos cidadãos?  Quantos há nessa eleição que transmitam a ideia de que, por Brasília ou pelas Assembleias de seus estados, irão representar o voto que receberam?

Quantos há para honrar compromisso com saúde, educação, transporte, emprego, moradia? (Para falarmos apenas desses necessários chavões). Não é fácil escolher. Interesses particulares ou de grupos se pulverizam para setores como o mercado, as várias empresas, a religião, (leia-se igrejas-empresas com interesses escusos), o futebol e toda sorte de cartéis que se possa imaginar.

Como fazer? Como arcar com tamanha responsabilidade? Depararemos com  promessas, incansáveis repetições, programas os mais diversos e estapafúrdios. Desses, já sabemos, e neles acreditaremos segundo o tamanho de nossa ingenuidade, contudo, o que faremos se não somos os ingênuos?

Vivemos uma crise tão desproporcional no ambiente político, que das tantas agulhas do palheiro, talvez não encontremos uma. E se uma encontrarmos, para não ser tão cruéis, essa não disporá de fio suficiente, para tecer os nossos ideais, pois não adianta a boa linha se o tecido estiver velho e apodrecido, como já dissera o Cristo. 

Como fazer, meus irmãos, a boa escolha? O que mais dói é ter de fazer essa escolha. Como não há saída, tudo está em nossas digitais, em nossa consciência, em nosso olhar. Mais uma vez, confiemos (os eleitores sérios), que haja pelo menos duas agulhas a que possamos creditar o tecer dos ideais da mudança que desejamos, para que venhamos viver numa sociedade justa, séria, digna e solidária.

No mais, não lavemos as mãos, pois há mais Barrabás do que Cristo nesse grande mundo de Deus.  
     
*Pseudônimo de Simão Pedro dos Santos – Professor de Letras da Universidade Severino Sombra – Vassouras – RJ e de Literatura Brasileira do Centro de Estudos Integrados – Barra do Piraí – RJ. 

Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior, jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada fluminense.


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