Ano eleitoral e redes sociais –
que eleitores deveremos ser?
Pedro Pernambuco*
Ano eleitoral. O que fazer na
escolha de candidatos que correspondam às nossas expectativas sem que nos
enganemos? Nossa grande pergunta é a seguinte: que cidadão está apto a um cargo
eleitoral sem interesses particulares? Que eleitor está apto a votar sem
interesses particulares? Havemos de entender que político é aquele que exerce
atividade pública e isto, em outras palavras, é a arte de bem governar.
Votar, participar dos destinos da
cidade, ter interesses em questões ambientais, propor a melhoria de sua
comunidade, eleger seu líder, não jogar lixo nas ruas são atitudes políticas do
homem, uma vez que vivemos em sociedade. Aristóteles, filósofo grego, afirmara
séculos antes de Cristo, que todo homem é um ser político. Fácil de entender: é
aquele que opina e participa dos destinos de seu povo, de sua cidade, pois todo
ser político visa o bem comum, já que o homem é um ser gregário, ou seja, não
vive só, segundo ainda Aristóteles.
Fazer política é não ser
politiqueiro, não tomar parte da politicagem, mas, conscientemente, agir, com o
fim de ampliar, melhorar, fazer com que ideias inteligentes sejam aplicadas em sociedade
para o bem de todos e não de grupos isolados, particulares, que trabalham em
torno de si. Fazer política, viver política, como cidadão que vota, não é trocar
favores, mas vivenciar o interesse social com caráter democrático.
Fazer e viver a política é,
teoricamente, e na prática, ser cidadão que não faz escambo de seu voto. Quanto
vale uma telha? Qual o preço de um tijolo? Por que remédios têm de valer por
votos? Se há essa troca, o que se pode dizer do cidadão? O que se pode cobrar
do candidato a quem se escolheu para decidir os rumos de seu povo?
Há de se compreender, por
exemplo, que quem é eleito para o Legislativo tem por função criar, modificar
ou até revogar leis para o Estado e para a conduta dos que nele vivem. Ao
Legislativo cabe representar a maioria e a minoria dos cidadãos, além de
fiscalizar atos do Executivo, no zelo pelo bem-estar da coletividade. Legislar
não é trabalhar em causa própria, como infelizmente, tem ocorrido. Legislar não
é criar mecanismos de enriquecimento, como vemos à plena luz do dia. A
sociedade ainda tem estado imatura no sentido de fiscalizar aquele a quem
escolheu em quaisquer das instâncias políticas. E isto é uma lástima.
Tem havido, é certo, nos dias
atuais mais conscientização. Temos, com o advento das redes sociais, agido de
forma a denunciar, disseminar desmandos, irresponsabilidades e a propor mudanças,
mas ainda não é suficiente, embora represente algum avanço para o aguçamento de
nosso olhar de fiscalizadores dos políticos. Temos de utilizar desses recursos
tecnológicos a que acessamos livremente para assinar manifestos, cobrar
atitudes, publicar insatisfações coletivas para que se façam cumprir obrigações
que não representem favores, mas direitos. Graças à tecnologia, temos
perspectivas de mudanças. Desse modo, usemos nossa voz e nossa inteligência para
gritar, anunciar aos quatro cantos que podemos mudar esse país, que podemos
mudar nossas cidades. Que podemos reverter situações e que podemos viver numa
sociedade mais justa, sincera e que não se dobra a caprichos particulares.
Que tempo passamos sem ter ouvida
a nossa voz? Que veículo de comunicação dava-nos a oportunidade de nos
expressar? A grande mídia, sempre aliada por interesse, aos políticos, ou
melhor, aos maus políticos, nunca deixou de fazer vistas grossas à desordem
política e o povo não tinha como espalhar ideias, buscar seus direitos, e se
isto ocorria, era timidamente. Poucas vezes, nos últimos trinata anos, tivemos
grandes movimentos de vozes coletivas que fossem mediados por importantes sistemas
de comunicação. Todavia, o mundo mudou. Estamos mudando, e aos poucos, é certo,
temos avançado, e nossos rumos, paulatinamente, estão em nossas mãos, graças à
mídia aberta que é a rede mundial de computadores que por seu turno, tornou o
mundo menor, mais coeso e com voz. Podemos hoje propagar nossas ideias,
valores, protestos, indignação a todos os seus quadrantes. E cá para nós,
apesar de ser uma faca de dois gumes o
universo on-line, se bem aproveitado, é a grande arma de combate, de luta e
denúncia a qualquer ameaça de corrupção política da grande comunidade universal.
Apropriemo-nos desse aparato tecnológico
a que temos acesso e façamos dele nosso posto de fiscalização, de troca de
ideias políticas, de porta aberta para o mundo e não sejamos eleitores
tacanhos, avaros. Não pensemos apenas em nós, como fazem alguns políticos.
Pensemos no grupo, na coletividade, para que depois possamos cobrar com a legitimidade
e, sobretudo, com a dignidade que é, ou deveria ser inerente a todo ser em
sociedade.
O mundo está de portas abertas. Escancaradas.
Façamos disso a janela, através da qual possamos deslumbrar melhor futuro para
a geração que nos sucederá.
*Pseudônimo de Simão Pedro dos
Santos – Professor de Letras da Universidade Severino Sombra – Vassouras – RJ e
de Literatura Brasileira do Centro de Estudos Integrados – Barra do Piraí – RJ.
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