quarta-feira, 13 de junho de 2012


Telhados do nosso casario, paredes da nossa velha memória
                                                                       Pedro Pernambuco[1]

Nossa reflexão hoje fica em torno do casario que integra o patrimônio arquitetônico de Vassouras. Nossa conversa se dará em torno de uma pergunta: o que se fará desse sítio histórico que é o centro antigo desta cidade? A pergunta é de leigo, mas a resposta tem de vir de especialistas. Há muito as indagações se dão da seguinte forma: quem cuidará de tudo isto? Como e o que fazer para preservar essa história?

Reuniões são feitas, ideias são dadas, apontam-se soluções as mais variadas, mas infelizmente, tudo fica no papel e as ações não se concretizam. Veem-se até escoramentos e tapumes como se isto bastasse e fosse a perspectiva de que as coisas caminham. Não se sabe o porquê de as ações de restauração não acontecerem, e aos poucos, o testemunho de uma época é varrido à nossa vista, e o que é mais grave: parece que não damos conta. Os mais atentos até percebem este fenômeno, mas não sabem ou não têm como resolver; e os que podem, e até têm como resolver, parece não buscarem o caminho para uma resolução, e ainda não nos respondem de forma plausível o que se há de fazer.

Para muitos, o passado já passou, com o perdão da redundância, mas para os sensatos, é do passado que depende o presente, e este é o que somos e o que podemos fazer. E o que podemos fazer com esse passado histórico de Vassouras, hoje? O que não dá é ver paredes a ruir, telhados a despencar e o risco de todo um depoimento do passado vir abaixo, sem uma explicação, sem um esforço – pelo menos é o que aparenta – sem um mínimo de vontade por parte de, não sabemos que esfera do poder público, em dar-nos alguma explicação.

Dá pena ver, sobretudo em finais de semana, os ônibus de turismo a atravessar a cidade sem termos o que mostrar, aliás, temos as quase ruínas. Dizem os mais sabidos e curiosos das conversas de praça, que turistas vêm para fazendas históricas, para hotéis que já têm roteiros a fazer pelos arredores dessa Vassouras carente. É o que chamam de turismo rural. Os hotéis têm suas propostas disponíveis em seus prospectos: acertada visão comercial. E o que mostrar de nosso patrimônio para esse turista sequioso por ver o urbano, rico e interessante traço arquitetônico vassourense?

Façamos algumas modestas perguntas com a igual curiosidade da resposta que talvez não tenhamos, mas não nos intimidemos: é possível solucionar questões como estas, se se entregar este patrimônio à iniciativa privada? Seria esta uma sensata solução? Será que, com um contrato bem engendrado, claro, objetivo, não se poderia traçar metas viáveis tanto para empresários interessados quanto para o poder público na busca de meios de preservação desses prédios em ruína? Conceder esses palácios para usufruto comercial, cultural, e ao mesmo tempo, ter como contraproposta sua restauração, não seria um quê de vontade política? Em contrapartida, quanto de oportunidade de emprego se abriria? Quantos profissionais teriam oportunidade? 


Não sabemos até que ponto estamos certos, mas temos a certeza de que o que nossos olhos têm enxergado, não nos agrada, o que resulta em interrogações, indagações que, se não são respondidas, leva-nos à convicção de que há pouco caso por parte daqueles a quem recai a responsabilidade, de pelo menos dar respostas convincentes – é o que deixam transparecer – o que leva-nos, aos poucos, à conclusão de que tudo o que temos e vemos será ruína. Literalmente.

Não custa lembrar, porém, que povo que não guarda seu passado, não tem presente nem identidade, e consequentemente, não terá futuro. E é esta a nossa preocupação: o que mostraremos aos nossos filhos e netos?  



[1]Pseudônimo de Simão Pedro dos Santos. Professor de Letras da Universidade Severino Sombra – Vassouras – RJ. Professor de Literatura Brasileira do Centro de Educação Integrada – Barra do Piraí – RJ.   

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