Telhados do nosso
casario, paredes da nossa velha memória
Nossa reflexão hoje
fica em torno do casario que integra o patrimônio arquitetônico de Vassouras.
Nossa conversa se dará em torno de uma pergunta: o que se fará desse sítio
histórico que é o centro antigo desta cidade? A pergunta é de leigo, mas a
resposta tem de vir de especialistas. Há muito as indagações se dão da seguinte
forma: quem cuidará de tudo isto? Como e o que fazer para preservar essa
história?
Reuniões são feitas,
ideias são dadas, apontam-se soluções as mais variadas, mas infelizmente, tudo
fica no papel e as ações não se concretizam. Veem-se até escoramentos e tapumes
como se isto bastasse e fosse a perspectiva de que as coisas caminham. Não se
sabe o porquê de as ações de restauração não acontecerem, e aos poucos, o
testemunho de uma época é varrido à nossa vista, e o que é mais grave: parece
que não damos conta. Os mais atentos até percebem este fenômeno, mas não sabem
ou não têm como resolver; e os que podem, e até têm como resolver, parece não
buscarem o caminho para uma resolução, e ainda não nos respondem de forma
plausível o que se há de fazer.
Para muitos, o passado já
passou, com o perdão da redundância, mas para os sensatos, é do passado que
depende o presente, e este é o que somos e o que podemos fazer. E o que podemos
fazer com esse passado histórico de Vassouras, hoje? O que não dá é ver paredes
a ruir, telhados a despencar e o risco de todo um depoimento do passado vir
abaixo, sem uma explicação, sem um esforço – pelo menos é o que aparenta – sem
um mínimo de vontade por parte de, não sabemos que esfera do poder público, em
dar-nos alguma explicação.
Dá pena ver, sobretudo
em finais de semana, os ônibus de turismo a atravessar a cidade sem termos o
que mostrar, aliás, temos as quase ruínas. Dizem os mais sabidos e curiosos das
conversas de praça, que turistas vêm para fazendas históricas, para hotéis que
já têm roteiros a fazer pelos arredores dessa Vassouras carente. É o que chamam
de turismo rural. Os hotéis têm suas propostas disponíveis em seus prospectos:
acertada visão comercial. E o que mostrar de nosso patrimônio para esse turista
sequioso por ver o urbano, rico e interessante traço arquitetônico vassourense?
Façamos algumas modestas
perguntas com a igual curiosidade da resposta que talvez não tenhamos, mas não
nos intimidemos: é possível solucionar questões como estas, se se entregar este
patrimônio à iniciativa privada? Seria esta uma sensata solução? Será que, com
um contrato bem engendrado, claro, objetivo, não se poderia traçar metas
viáveis tanto para empresários interessados quanto para o poder público na
busca de meios de preservação desses prédios em ruína? Conceder esses palácios para usufruto comercial, cultural, e ao mesmo tempo, ter como contraproposta
sua restauração, não seria um quê de vontade política? Em contrapartida, quanto
de oportunidade de emprego se abriria? Quantos profissionais teriam
oportunidade?
Não sabemos até que ponto estamos certos, mas temos a certeza de que o que nossos olhos têm enxergado, não nos agrada, o que resulta em interrogações, indagações que, se não são respondidas, leva-nos à convicção de que há pouco caso por parte daqueles a quem recai a responsabilidade, de pelo menos dar respostas convincentes – é o que deixam transparecer – o que leva-nos, aos poucos, à conclusão de que tudo o que temos e vemos será ruína. Literalmente.
Não sabemos até que ponto estamos certos, mas temos a certeza de que o que nossos olhos têm enxergado, não nos agrada, o que resulta em interrogações, indagações que, se não são respondidas, leva-nos à convicção de que há pouco caso por parte daqueles a quem recai a responsabilidade, de pelo menos dar respostas convincentes – é o que deixam transparecer – o que leva-nos, aos poucos, à conclusão de que tudo o que temos e vemos será ruína. Literalmente.
Não custa lembrar,
porém, que povo que não guarda seu passado, não tem presente nem identidade, e
consequentemente, não terá futuro. E é esta a nossa preocupação: o que mostraremos
aos nossos filhos e netos?
[1]Pseudônimo de Simão Pedro dos
Santos. Professor de Letras da Universidade Severino Sombra – Vassouras – RJ. Professor
de Literatura Brasileira do Centro de Educação Integrada – Barra do Piraí –
RJ.
Nenhum comentário:
Postar um comentário