Dispondo ou não
de água, São Paulo nunca afogará seus nordestinos
Nas eleições de 2010 e nesta de
2014, com segundo turno em 26/10, não foram pequenas as polêmicas no que
respeita a São Paulo e sua relação com os nordestinos. Acontece que esse estado,
com a dimensão territorial que apresenta, e sob os mais variados pensamentos e
mentalidades, o que é presumível, nunca representará o todo da celeuma, pois para
representá-lo, haveria de a ideia ser unânime, o que não ocorrerá num grupo tão
multifacetado. É a lógica.
Não há como imputar essas ideias
racistas à população desse valoroso lugar, pois sua realidade se faz com
exemplares dos mais variados lugares do Brasil e do mundo, o que dá tanto ao
estado quanto à sua capital um feitio multicolorido e cosmopolita.
Não queremos que os olhos do mundo
vejam o estado mais importante do país como foco nazifascista. Não queremos uma
imprensa má, os comentaristas tendenciosos ou sociólogos não sérios a alimentar
medos, como se alimentam no bico, e aos pouquinhos, filhotes abandonados de
pássaros. Não creiamos nisso,
brasileiros que somos, humanos que ousamos ser.
Fechar os olhos à parte dessa
realidade, também não podemos. O fato existe, mas havemos de ter os olhos
abertos à maledicência, à calúnia, ao ódio que poucos semeadores tentam lançar
ao campo da discórdia e do desentendimento entre irmãos, numa tentativa quase
real de se criar um “Muro da Vergonha” num país como o nosso, que nunca ou
quase nunca se imaginou separado.
A arma de que dispomos para
combater o ódio que alguns deslumbrados querem nos impor, se dará em forma de
agradecimento ao lugar que é de todos os brasileiros e de tantos povos do mundo
que o construíram e o constroem.
Velha Pauliceia, sem nordestinos
tua paisagem seria mais cinza! Desse modo, agradeçamos-te por nos receber antes
de PSDBs, PTs, PMDBs quaisquer. Queremos te agradecer, porque sempre nos deste
a oportunidade de trabalhar, de crescer, de constituir nossas famílias.
Queremos te agradecer, porque crescemos juntos. Sempre juntos.
Sempre nos deste o material e nós,
trabalhadores e corajosos, te construímos, te erguemos, te verticalizamos e te horizontalizamos.
Somamos. Queremos te agradecer, porque somos nordestinos. Porque somos fortes,
valentes, aguerridos e não temermos a luta. Queremos te agradecer, pela
oportunidade de, juntos, construirmos com mãos trabalhadoras o estado mais
próspero da federação. Mãos nordestinas, paulistas, paulistanas, mineiras,
japonesas, italianas e tantas mais. Mãos que trabalham. Mãos de toda matiz.
Queremos te agradecer, pelo
convívio em meio a tantos povos, brasileiros ou não, na construção, no
progresso e no crescimento desse país chamado Brasil. Queremos te agradecer,
porque somos brasileiros, antes de qualquer bandeira partidária.
Queremos te agradecer sempre, São
Paulo. E para encerrar, sabemos que tens por nós eterno preito de gratidão.
De nossa parte, sabes ainda: a
recíproca é verdadeira.
Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior, jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada fluminense.
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