Aonde irão os professores, qual será a nossa escola, o que será desse país?
A onda de violência que
tem tomado o país, e há muito tempo, tem sido a preocupação dos cidadãos e
cidadãs comprometidos com os rumos da sociedade. Há quase uma crença geral de
que não há mais conserto para essa bela terra em que nascemos. A gravidade da violência
tem sido tão intensa que poucos já acreditam que teremos saída para dias de paz
e de tranquilidade. O fenômeno se alastrou tão rapidamente, que não há um lugar
em que se possa viver sem susto, em segurança e sem a surpresa de ataques que
nos amedrontam a todos no campo e na cidade. Nesse aspecto, não há mais ou há
pouca diferença entre o grande centro, onde incidia com mais vigor o fenômeno
da violência, e o campo ou as pequenas cidades.
Outra violência, ou o
reflexo daquela que se dá noutras artérias das cidades e do campo, se instalou
nas escolas. Professores se tornaram vítimas nas quatro paredes das salas de
aula. Acuados, os mestres têm de lidar com um público assustador num espaço que
sempre foi destinado a formar cidadãos, a orientar para a vida, a dar
esperanças de futuro e dignidade. Hoje, na contramão do que seria a esperança e
um futuro melhor, o que fazem muitos alunos é, sob os auspícios de leis frágeis e
irresponsáveis, preferirem o difícil caminho da agressividade, da intolerância,
do desrespeito e da não reciprocidade aos ideais não só da educação como de
seus agentes, os professores.
As manchetes de
revistas e jornais nos estarrecem a todos. As notícias em torno do cotidiano dos
professores nos entristecem. O desinteresse, a desatenção, o uso indiscriminado
de aparelhos de celulares em aula deixam os professores reféns, não só da
indolência quanto ao aprender quanto das
reações do “estudante” se for repreendido. As novas tecnologias, é certo,
deveriam ser aliadas na disseminação do saber, na dinâmica de sala, no
laboratório, nos experimentos mais diversos, no auxílio à busca pelo
conhecimento do professor e do aluno, mas não é o que se constata.
O uso indevido desses
aparatos nas escolas tem sido a dor de cabeça dos docentes, que, temerosos, não
sabem como fazer para impedi-lo, pois há um “não-me-toques” em relação ao
aluno, que o próprio sistema deixa transparecer. Leis para coibir essa
desajustada prática nos educandários até há, o que não há é o substrato devido
a que o professor possa se agarrar para agir: pais, comunidade, Conselho
Tutelar, direção e muitos pares, em muitos casos, (por medo ou tolerância
barata) se voltam para uma prática de proteção que termina por acobertar essa atitude
nada correta, por acomodar e incitar o erro, o que resulta em prejuízo aos que
querem e sonham com uma sala de aula em que prevaleçam o saber, o respeito, a
pesquisa, a busca pelo crescimento do outro e a crença num homem e numa
humanidade melhores.
Outro agravante vem dos
poderes constituídos que, além de não fomentarem o conhecimento para todos os
cidadãos, – quanto menos saber melhor – não concedem aos profissionais do
ensino o necessário salário digno, o incentivo às especializações e uma vida à
altura de seus ideais e de suas práticas docentes.
Na verdade dura e na mão
contrária à sua digna história, os professores têm apanhado em sala de aula,
onde têm sido amordaçados, e ainda são surrados por quem os deveria proteger, o
falido e não menos corrompido estado, que apenas reedita antigos projetos que
só mudam de nome, mas estão a enorme distância de se tornarem realidade.
O agora ideal Pátria
Educadora poderá ter outro nome amanhã, mas qualquer governo, hoje ou sempre,
só realizará essa ideia, se primeiramente, enxergar os que levarão à frente
projeto como esse: os professores.
A triste expectativa, por
enquanto, será a de, – e já é quase realidade –, num futuro não muito distante,
não dispormos de professores, e neste caso, seremos um país triste e sem
futuro.
E será a escuridão!
Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior, jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada fluminense.
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