sábado, 6 de junho de 2015



Aonde irão os professores, qual será a nossa escola, o que será desse país?

A onda de violência que tem tomado o país, e há muito tempo, tem sido a preocupação dos cidadãos e cidadãs comprometidos com os rumos da sociedade. Há quase uma crença geral de que não há mais conserto para essa bela terra em que nascemos. A gravidade da violência tem sido tão intensa que poucos já acreditam que teremos saída para dias de paz e de tranquilidade. O fenômeno se alastrou tão rapidamente, que não há um lugar em que se possa viver sem susto, em segurança e sem a surpresa de ataques que nos amedrontam a todos no campo e na cidade. Nesse aspecto, não há mais ou há pouca diferença entre o grande centro, onde incidia com mais vigor o fenômeno da violência, e o campo ou as pequenas cidades.

Outra violência, ou o reflexo daquela que se dá noutras artérias das cidades e do campo, se instalou nas escolas. Professores se tornaram vítimas nas quatro paredes das salas de aula. Acuados, os mestres têm de lidar com um público assustador num espaço que sempre foi destinado a formar cidadãos, a orientar para a vida, a dar esperanças de futuro e dignidade. Hoje, na contramão do que seria a esperança e um futuro melhor, o que fazem muitos alunos  é, sob os auspícios de leis frágeis e irresponsáveis, preferirem o difícil caminho da agressividade, da intolerância, do desrespeito e da não reciprocidade aos ideais não só da educação como de seus agentes, os professores.

As manchetes de revistas e jornais nos estarrecem a todos. As notícias em torno do cotidiano dos professores nos entristecem. O desinteresse, a desatenção, o uso indiscriminado de aparelhos de celulares em aula deixam os professores reféns, não só da indolência quanto ao  aprender quanto das reações do “estudante” se for repreendido. As novas tecnologias, é certo, deveriam ser aliadas na disseminação do saber, na dinâmica de sala, no laboratório, nos experimentos mais diversos, no auxílio à busca pelo conhecimento do professor e do aluno, mas não é o que se constata.

O uso indevido desses aparatos nas escolas tem sido a dor de cabeça dos docentes, que, temerosos, não sabem como fazer para impedi-lo, pois há um “não-me-toques” em relação ao aluno, que o próprio sistema deixa transparecer. Leis para coibir essa desajustada prática nos educandários até há, o que não há é o substrato devido a que o professor possa se agarrar para agir: pais, comunidade, Conselho Tutelar, direção e muitos pares, em muitos casos, (por medo ou tolerância barata) se voltam para uma prática de proteção que termina por acobertar essa atitude nada correta, por acomodar e incitar o erro, o que resulta em prejuízo aos que querem e sonham com uma sala de aula em que prevaleçam o saber, o respeito, a pesquisa, a busca pelo crescimento do outro e a crença num homem e numa humanidade melhores.

Outro agravante vem dos poderes constituídos que, além de não fomentarem o conhecimento para todos os cidadãos, – quanto menos saber melhor – não concedem aos profissionais do ensino o necessário salário digno, o incentivo às especializações e uma vida à altura de seus ideais e de suas práticas docentes.

Na verdade dura e na mão contrária à sua digna história, os professores têm apanhado em sala de aula, onde têm sido amordaçados, e ainda são surrados por quem os deveria proteger, o falido e não menos corrompido estado, que apenas reedita antigos projetos que só mudam de nome, mas estão a enorme distância de se tornarem realidade.

O agora ideal Pátria Educadora poderá ter outro nome amanhã, mas qualquer governo, hoje ou sempre, só realizará essa ideia, se primeiramente, enxergar os que levarão à frente projeto como esse: os professores.

A triste expectativa, por enquanto, será a de, – e já é quase realidade –, num futuro não muito distante, não dispormos de professores, e neste caso, seremos um país triste e sem futuro.


E será a escuridão!

Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior, jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada fluminense.

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