Nossa
herança, nossa maldição ou aonde chegar com esse presente
No país do eterno
desmando, da troca de favores e do lema “é dando que se recebe”, atribuído a
São Francisco, e irônica e injustamente usado como referência aos sujos
escambos da política, nos habituamos às velhas manchetes e reportagens em torno
de escândalos, de que sabemos, pouco resulta: punições, condenações, prisões
são “privilégios” de poucos, que ainda assim, saem ilesos, pouco tempo depois,
enquanto nós, o povo, ficamos a ver navios.
A síndrome da
politicagem vem de longe e sempre foi, hoje e sempre, a tônica e a prática de
nossos representantes. Coronéis, personagens reais e comuns aos interiores de
nossa Pátria, sempre agiram, sem escrúpulo algum, em proveito próprio e pela
sede do poder que sempre os encantou. Terras acrescidas, gado em expansão,
riqueza avultada fizeram dos grandes senhores aliados políticos dos centros do
poder em troca do voto comprado dos pequenos e simples trabalhadores. Moto
contínuo, essa prática nunca foi extirpada de nosso país. Nem será.
Os coronéis dos grandes
centros também são uma realidade e sempre foram: aglomerados empresariais têm
seus políticos de plantão, seus lobistas, seus agentes no Planalto Central, nos
governos estaduais, nas prefeituras. Aprovam-se aquilo que lhes redundam em
vantagem, pois são eles que sustentam campanhas eleitorais, injetam verbas,
fazem seus representantes: deputados federais, estaduais, senadores,
vereadores, que, atrelados ao monopólio econômico equivalente a suas bases,
alimentam e nutrem a corrupção.
Não é apenas nesses
turbulentos tempos que senadores e deputados debatem e se debatem a fim de
permanecem no poder para sustentar cartéis. A história existe para nos mostrar
quão antiga é essa prática legada desde a colônia, e que não deveria constar
mais nos currículos de nossos representantes de quaisquer partidos, mas consta
e é lastimável.
Enquanto isso, nosso
desestruturado país vem a passos não curtos nos impondo impostos, encargos
estapafúrdios, divisão injusta de riquezas, empobrecimento generalizado,
descaso com educação, saúde e segurança, entre outros compromissos, o que
resulta numa sutil separação do povo em castas que nunca se entenderão, pois
dois ou mais brasis vêm se construindo: há o dos demasiadamente ricos, que não
abrem mão de seus privilégios, há o dos medianos que se contentam com o grito das
orlas; há o dos assustadoramente pobres sem voz nem vez, há o dos outros pobres
que buscam a voz e continuam sem vez.
E nesse jogo de
resultado previsto, um grupo sobrepujará o outro, sempre. É notório, pois há os
que têm e vivem as bênçãos do poder. E sempre tiveram e viveram. Há ainda, e
sempre haverá aqueles que tiveram e vivem até nossos dias, uma eterna maldição
dos poderosos. Esses sabem aonde vão chegar: lugar algum.
E nesse caso, não se
sabe quando a panela de pressão, cheia, explodirá. Mas hora dessas,
explodirá.
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