sábado, 6 de junho de 2015

 Telhado de vidro ou... Macaco que só olha o rabo dos outros...

Nos últimos anos vivemos escândalos que nos abalam profundamente, que nos jogam em abismos profundos tanto dentro quanto fora do país. Sequelas que fazem com que vivamos coletivamente tamanha baixa autoestima que só o tempo cura. E haja tempo.

Sabe-se que o Partido dos Trabalhadores e os que com ele afinizam foram os grandes bastiões no combate à corrupção, a falcatruas, a desmandos de toda espécie, sobretudo, nos anos oitenta e noventa do século passado e início deste. Basta uma volta ao calendário para lembrarmos que há não muito tempo um presidente da República com todo o seu séquito foi derrubado. Em meio a essa renhida luta estavam o PT, a UNE, a UBES, os sindicatos e a sociedade organizada.

Com a ascensão do Partido dos Trabalhadores em 2002, houve uma onda de esperança em todo o país. Todos foram embalados pela bela frase de Luiz Inácio da Silva, de que “a esperança venceu o medo”. Quem não se emocionou com essas palavras? Quem deixou de ter esperança? Infelizmente, não muito tempo depois, começou-se a ter medo de que a esperança fraquejava. Ninguém acreditava no que via e ouvia e os escândalos brotavam. A prática antiga do que no governo do PT ficou conhecido como Mensalão foi o grande estouro da boiada. A grande descrença. O governo, no entanto, seguiu firme com seus justos e bons programas, com suas metas. E, segunda chance. Novo mandato. Novos acreditares.

Terceira vez, o partido se faz presente. Agora é uma mulher que ascende ao poder. Esperanças se renovam. Popularidade sobe. Crenças se avolumam. Orgulho coletivo de se ter uma mulher no comando do país, e pela primeira vez. Novamente, desesperança, escândalos, prisões, solturas, sensação de impunidade. Petrobras. Investigações, demandas, pelejas, imprensa envenenadora, maledicente, dúbia. Os problemas continuam, mas é certo e notório também que o PT permite investigar, não esconde, escancara. Mas não adianta, pois dói, fere e machuca por demais, a certeza da impunidade, embora isto fuja, pelo menos teoricamente, ao Partido, já que é foro da Justiça e a esta cabe julgar, condenar, absolver.

Nossa reflexão, no entanto, se faz não em torno de o PT está envolvido em tantas questões, pois que essas não são novas, uma que já nasceu nosso país sob a égide da corrupção, o que não justifica o continuarmos a ser corruptos. Nosso questionamento se dá quando nos vem à cabeça que o Partido dos Trabalhadores jogou pedras em telhados de vidro sem perceber que construía o seu com igual matéria. De repente, não percebeu o Partido que macaco que só olha rabo dos outros esquece o seu.

Desse modo, sejamos ou não seguidores ou simpatizantes do Partido da estrela vermelha, sejamos justos: não há como jogar a decepção para baixo do tapete.

E temos dito!        

Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior, jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada fluminense.





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