Escolas: que
governo inscreverá o nome nas questões educacionais?
No último resultado do Exame Nacional
de Ensino Médio – Enem, dos mais de seis milhões que fizeram as provas, acima
de meio milhão zerou a redação.
Dados
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira –
Inep revelam: “[...] entre os que zeraram a redação, 13.039 copiaram textos
motivadores da prova; 7.824 escreveram menos de sete linhas; 4.444 não
atenderam ao tipo textual solicitado; 3.362 tiraram zero por parte desconectada
e 955 por ferirem os direitos humanos. Outras 1.508, por outros motivos”.
Sob
o horroroso e rimado tema Publicidade
infantil em questão no Brasil não dá para escrever muita coisa,
convenhamos. Não dá, não pelo tema, qualquer tema, mas pelo despreparo de boa
parte do alunado brasileiro. Se não se sabe o que é publicidade não dá para
discorrer sobre. Se não se tem o menor conhecimento a respeito de exploração
infantil, (publicidade com uso de criança é um tipo de exploração infantil,
apesar de permitida, por ser arte, mas tem fim comercial com a imagem do outro),
não se discorrerá sobre.
No
entanto, o fulcro da questão não está no tema do último Enem. Vai mais longe:
falta o incentivo à escrita; não há o gosto pela leitura nem pela escola; não
há respeito ao professor em casa e, consequentemente, não o há na escola. Resultado:
a escola tem estado à margem e na contramão. Professores de mãos atadas em meio
a alunos desordenados e que nada querem, que não demonstram o menor interesse,
que destratam e agridem seus mestres e, o mais grave, sob a proteção
politiqueira do próprio Estado, que subvenciona o lastimável comportamento com
tantas leis absurdas.
Se
as famílias não colaborarem, se o Estado continuar de olhos fechados os
educadores irão sofrer por muito tempo, pois a educação se faz com alunos,
professores e pais. A escola visa o crescimento da sociedade, pois para ela
trabalha na formação do outro que a ela pertence. Se a escola não puder levar o
cidadão ao conhecimento, se não puder despertar o interesse, se não puder levar
o outro à autonomia, a quem formará?
O
grande desafio para a escola é vencer barreiras quase intransponíveis de
desinteresses: pais, alunos, sociedade e, até alguns professores, que pouco ou
nada têm feito para mudar, num tempo em que se cobram mudanças.
Educar
é construir, mas só se erguem casas com base, com alicerce, com fundação
sólida. Não adianta criar tantos programas sociais em detrimento do maior e
mais importante deles: o da educação.
Programas
sociais são importantes. Há a necessidade da ação do Estado no que respeita aos
que precisam, mas se ir a escola for justificativa para se manterem benefícios
sociais e sem responsabilidade alguma do governo, dos pais, e do próprio aluno,
há de se repensar e discutir o que isso já tem trazido hoje e como será o
futuro.
Do
contrário, continuaremos a escrever errado por linhas tortas. E sobre qualquer
tema.
Texto originalmente publicado no Tribuna do Interior, jornal que circula na cidade de Vassouras – RJ, região sul fluminense e baixada fluminense.
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